domingo, 15 de setembro de 2013

Chove







Seguro nas mãos cada gota de lágrima
que cai do céu.
O choro bendito dos anjos
lavando a humanidade nos homens.

E chove,
sempre que há a tentativa de quebrar a integridade do ser.
Chove quando a enxurrada leva cada um de meus versos
e quando a tempestade quer nos quebrar.
  
Na chuva de sangue que intenta em minhas veias,
ainda chove.
Chove.
Mas ainda estou de pé,
chove cada vez mais forte
em cada vez que me forço a levantar do chão.

E quando estou bem aqui
assistindo a tudo desaparecer
a rajada do mais puro vento
 trás à tona tudo aquilo que eu costumava conhecer.

E ainda chove.
Chove quando não compreendem a sempre mesma
temática em minhas estrofes,
garoa dor para aqueles que adotaram a solidão como melhor amigo
e, ainda chove...

Chove como a água lavando a escuridão das almas
como os relampejos de dúvidas e incertezas
dos inquietos.

Ainda chove,
apenas chove.
Chove.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Aqui jaz a saudade



Humanidade não significa nada
se você não tem com quem se importar.
E penso nisso quando olho fundo
os olhos de meu pai.
 

Se um dia ele se for
e os noticiários anunciarem sua partida
nada será de mim.
Não serei mais que um corpo em carne viva
e sangrarei lágrimas de orgulho.

Suplicarei em ranger de dentes
as alegrias das tardes de sábado,
a polidez de suas pequenas entradas calvas e
sua voz rouca ao fim de mais um dia de trabalho.

Suas mãos,
sentirei falta de cada calo em suas mãos 
e de como eles me ensinaram o que é trabalho.



Se um dia meu pai se for
serei o monólogo sublime da saudade
e ao luar, rezarei a Deus
por tudo aquilo que nos une

que é bem maior do que o sangue que nos envolve.

Se um dia eu o perder
meu coração palpitará ferido
ao ver em seu inventário
a obra de arte mais preciosa
           seu amor.


Se o véu negro da morte o vier abraçar
implorarei por mais um olhar
e escreverei a mão livre.
Fazendo da tinta meu sangue,
da caneta meus dedos
e do papel sua lápide.

Aqui jaz a saudade.


 

  



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Resenha do blog "Seja Culto"

“Afinal, quem nunca teve dúvidas?... Quem nunca teve medo de sonhar?”

Essas são perguntas pertinentes a qualquer ser humano conciso de sua realidade. Quem nunca? Mirele Longatti começa assim a indagar seu leitor no blog "Seja Culto" e se em algum momento da escrita questionou a si mesma, ela logo nos entrega a resposta. Durante a leitura dos diversos textos e poemas publicados percebemos como é forte a veia criativa dessa jovem escritora. Medo de sonhar eu não sei responder, porém posso afirmar que não teme arriscar na escrita e nos leva ao seu mundo particular. Seja em uma mera esquina ignorada, as palavras ganham forma e imagens se formam em todos os versos.

“Poeta não é aquele entendedor de palavras,
esses são professores de português.
Poetas são analistas da realidade
entendedores de alma
sentados na grande avenida...”

Mirele é uma amante das palavras, capaz de transformá-las na quietude de seu ser. Seu leitor depara-se com uma explosão de sentimentos e opiniões a respeito do que consideramos um vasto mundo, mas possivelmente é muito mais vasto.

Se à primeira leitura o nome do blog parecer pretencioso, Mirele Longatti dedica algum tempo para compartilhar suas leituras e sua mais previsível paixão literária, a poesia. Seja Culto!
(Resenha feita por R. S. Merces. Um grande amigo e resenhista, abaixo os sites para qual resenha, vale a pena conferir.)
http://www.literaturadecabeca.com.br/                                        http://lilianpoesiablogs.blogspot.com.br/                                        http://florderaissalis.blogspot.com.br/